Vinícius de Moraes – Soneto de uma Paixão
22/09 – quarta às 20h – estreia, para convidados - VIP


Constantemente recebemos inúmeras informações. Todas interferem em nossa maneira de ver o mundo. E quando a janela abre uma fresta, a luz irradia, transborda e com ela, vão as palavras, os sentimentos, a visão do mundo, emoções, alegrias, tristezas, os risos e os bichos que estão presentes em cada um.
Vento do passado
Morno e úmido ou gelado
Mexe a frondosa copa em mim
Conturba a paz dos galhos
Bagunça todo o gramado
Do meu confortável jardim
Folhas soltas, rotas
Bailando, flutuam marotas
Retorcidas e livres no ar
Por mais que sejam sopradas
Rodopiam, param, mergulham
E voltam como que programadas,
Aos meus pés, pra descansar
Folhas passadas, vividas
Folhas caídas, excluídas
Algumas arrancadas, velhas, ressequidas
Outras acidentadas e sem querer, perdidas
São fatos, são momentos
Palavras ditas e ouvidas
Instantes perdidos no tempo
Fases bem ou mal vividas
E que juntas ali no chão
Não expressam tudo de mim
Nem dizem que chegou o fim
Mas servem para entender
Que as folhas velhas que caem
São vivas e nunca morrem
São fontes ricas de saber
As folhas que ali vão sucumbir
Adubarão a terra e vão nutrir
Folhas novas que vão nascer
Manoel Gonçalves