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segunda-feira, 17 de julho de 2017

Yeah, Baby!


sábado, 22 de abril de 2017

Burlesco

Pintura feita por mim - tinta de tecido sobre algodão cru - Sebastião (A Pequena Sereia)

Burlesco

Alegria é pantomima 
Chega serelepe 
De caretas e trejeitos 
Fazendo salamaleques 
Ganha espaço 
Nos cobre o peito 
Mas como bom 
Personagem 
Apronta das suas 
Bagunça a história 
Ganha as ruas 
Depois parte 
Parece cansada 
Sem fazer alarde 
Cria suspense 
Pra que ninguém pense 
Que voltará mais tarde 

Manogon

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Achados e Perdidas

Imagem: freepik.com


Achados e Perdidas


Tantas balas
Perdidas

Quantas valas
Perdidas

Muitas vilas
Perdidas

Pobres vidas
Perdidas

Podres almas
Perdidas

Esperanças, expectativas
Perdidas

Fé de um futuro melhor
Perdida

As balas que zunem
Perdidas

As pessoas que caem
Perdidas

A sociedade ruída
Perdida


Sonhos estilhaçados
Achados

Corpos ensanguentados
Achados

Membros perfurados
Achados

Medos insignificantes
Achados

Seres não seres
Achados

Vítimas das perdidas
Achados

Tristezas e velórios
Achados

Comburentes pra fogueira
Achados

...

Cuidado!
Agacha!


Mais uma perdida
Espero que não encontre
Alguém


Ei, pode levantar, ela já passou
Ei, levanta!


Levanta, porra!

...

Menos uma perdida
Mais um achado!

Manogon

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Morrida

Para Maria Eduarda. E tantas outras marias e zés que têm suas luzes apagadas para satisfação de um sistema arbitrário, seja do crime, seja da lei e ordem. Na guerra quem perde são os achados pelas perdidas, balas lançadas a esmo, com intenção, mas sem destino, julgando, dando veredito final e executando a sentença de imediato a quem sequer pediu sua opinião.


segunda-feira, 20 de março de 2017

Rimas Falsas

banco de imagens


Rimas falsas

Povo rima com borracha
Na bala que não é de açúcar
Povo rima com bota
Na cara na bunda
Bota na cadeia
Povo rima pau
De arara, de sebo
De dar em doido
De quebrar na cacetada
Povo rima com pólvora
Como disse o poeta*
Povo rima com tiro
Pra cima pro lado
Pra ficar perdida
A bala que acha um perdido
Povo rima em verso
De pé quebrado
Costela, dente, braço
Pra quem não quer saber do povo
Povo rima até com vermelho
Da conta bancária
Do sangue que jorra

Manogon

*O amigo poeta Escobar Franelas citou essa frase no contexto de poder de movimentação do povo em protesto contra a ré-forma da p(b)revidência. Mas faço uma inversão aqui para mostrar que o povo é visto mesmo por quem detém o poder como bucha de canhão ou como alvo da pólvora.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Amparo Literário - Sarau Simpósio de Artes Integradas

Sábado, 11-03, em um encontro muito legal entre pessoas que fazem e que apreciam arte e cultura em geral, na Fábrica de Cultura Tiradentes, terei a honra de participar como convidado, juntamente com uma galera legal. Entrada gratuita. Quem apreciar e morar em Sampa, basta ir.

Nenhum texto alternativo automático disponível.




domingo, 5 de março de 2017

Batida de Frente

Um poema protesto por tanta violência contra a mulher, por muitas ainda acharem que estariam erradas se denunciassem, por algumas (ou sei lá quantas) aceitarem viver assim, seja por medo de acabar o relacionamento, seja por medo das ameaças sofridas constantemente por aquele que deveria ser o companheiro de lutas e conquistas, seja pela imposição da sociedade ainda machista.

Arte sobre foto de banco de imagens.


Batida de frente 

Bate
E volta
E vem
E vai

Bate e vai!

Vem...

Volta!
Volta...

E bate!

E bate?

Ah, não!

Se bater, vai
Se bater, volta

...

Volta pra puta-que-pariu!

...

Porque na minha cara
Filho da puta nenhum
Não bate mais

Nem de ida
...
Nem de volta

Manogon 

Elza Soares canta essa maravilha, Maria da Vila Matilde.
"Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim".







sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Bata, bota ou batina


Dos experimentos da escrita saem algumas brincadeiras com palavras, rimas, figuras... Deixo-as livres para trilharem seus caminhos.



Bata, bota ou batina

Quem faz milagre não assina
Há algum santo em sabatina?
Nem mesmo padre sem batina
A mole boca rota e libertina
Saliva ao golpe de botina
Se esconder da ave de rapina
Tem sido de muitos a sina
A mão torta já se inclina
Porque roubar virou rotina
A água turva entorna a tina
Vai cadeira, TV e mesa de quina
Lama escorre, cobre a retina
É incerto que o certo se ensina
Pro velho, pro jovem, pra menina
Carnaval com purpurina
Nem pierrot nem colombina
Somos palhaços na esquina
Espantados com tanta buzina
E do silêncio em sacadas finas
Panela nova, colher velha, combina?
E agora, José? Fazer o quê, Josefina?
Só resta encarar a sorte, ver se não afina
Não se entregar à morte nem ser mofina
Não desanimar, ir pra cima!
Não esperar bondade dos de cima
E sempre melhorar sua autoestima

Manogon

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Paraliz(A)ção

"Mas veio o tempo negro e, à força, fez comigo
o mal que a força sempre faz.
Não sou feliz, mas não sou mudo:
hoje eu canto muito mais"

Galos, Noites e Quintais (Belchior)



domingo, 12 de fevereiro de 2017

Rubrica

(imagem do clipe da música O Rato, do Palavra Cantada)


Rubrica

Na canetada do político
Vão-se dedos, anéis
Vai a mão inteira
Braços, pernas
Brincos e colares
Sapatos aos pares
Dinheiro, carteira
Currículos, carreira 
Fica tudo crítico
Do que sai das mãos
De um "nobre político"
Nas rubricas dos papéis
Dançam entre as letras
Embaralhadas e empoladas
Vantagens camufladas
Não para a população
Mas para os "chefes da nação" 
Velhas ratazanas
Privilegiados bichos
Pro povo somente o resto
Nas sobras do fétido lixo

Manogon

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Anseios

"Eu sou nuvem passageira
Que com o vento se vai
Eu sou como um cristal bonito
Que se quebra quando cai"

(Hermes de Aquino)

Imagem: Lion looking up in the dark - Background Wallpaper