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terça-feira, 1 de maio de 2018

Pole Divina

Essa é velhinha, de 1994, da comoção nacional, sobre a morte de Ayrton Senna, da qual fui mais um dos telespectadores que não acreditavam no que viam e choravam a morte trágica de um ídolo em plena transmissão internacional. Dias depois, trabalhando perto da avenida 23 de maio, por onde passou o cortejo dele, com caminhão de bombeiro e tudo, presenciei a comoção geral, emocionados pela cena emblemática à nossa frente. Não lembro se foi antes, ao se constatar o falecimento, ou no dia do cortejo, saiu essa poesia.



Pole Divina

Acelera, Ayrton!
Põe a marcha
Ronca o motor
Dá o seu tom
Mostra seu vigor

Acelera, Ayrton!
Vai pra pole
Pisa fundo
E não dá mole
Faça a curva
Gire pelo mundo

Acelera, Ayrton!
Mostre seu capacete
Verde brincando no amarelo
Seu braço pra cima
Gritando, vibrando
Sua mão bem firme
A bandeira agitando

Acelera, Ayrton!
Vai em frente
Vai à frente
Sobe ao pódio
Ergue a taça
Chora com a gente

Acelera, Ayrton!
Você é o maestro
Que faz sua busca
Atrás da melhor nota
Da mais perfeita entonação
Ensinando-nos uma música
A música do campeão

Acelera, Ayrton!
Acelera!
Vá avante com os sonhos seus
Construa curvas e retas
Metal sobre pneus
E avise nos alto-falantes
Aos anjos e a Pedro, o comandante
Que você é o piloto de Deus



Manogon

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Nature on Canvas

Da bela foto de Luiza Maciel Nogueira surgiu a inspiração para o poema abaixo. E assim caminha a arte, captando o que é belo da natureza, perpetuando, inspirando transformações e novas criações para, quem sabe, inspirar e modificar outros, outras realidades, ou simplesmente, embelezar e servir de alento ou contemplação.

Vãos


quinta-feira, 9 de março de 2017

Amparo Literário - Sarau Simpósio de Artes Integradas

Sábado, 11-03, em um encontro muito legal entre pessoas que fazem e que apreciam arte e cultura em geral, na Fábrica de Cultura Tiradentes, terei a honra de participar como convidado, juntamente com uma galera legal. Entrada gratuita. Quem apreciar e morar em Sampa, basta ir.

Nenhum texto alternativo automático disponível.




sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Bata, bota ou batina


Dos experimentos da escrita saem algumas brincadeiras com palavras, rimas, figuras... Deixo-as livres para trilharem seus caminhos.



Bata, bota ou batina

Quem faz milagre não assina
Há algum santo em sabatina?
Nem mesmo padre sem batina
A mole boca rota e libertina
Saliva ao golpe de botina
Se esconder da ave de rapina
Tem sido de muitos a sina
A mão torta já se inclina
Porque roubar virou rotina
A água turva entorna a tina
Vai cadeira, TV e mesa de quina
Lama escorre, cobre a retina
É incerto que o certo se ensina
Pro velho, pro jovem, pra menina
Carnaval com purpurina
Nem pierrot nem colombina
Somos palhaços na esquina
Espantados com tanta buzina
E do silêncio em sacadas finas
Panela nova, colher velha, combina?
E agora, José? Fazer o quê, Josefina?
Só resta encarar a sorte, ver se não afina
Não se entregar à morte nem ser mofina
Não desanimar, ir pra cima!
Não esperar bondade dos de cima
E sempre melhorar sua autoestima

Manogon

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Paraliz(A)ção

"Mas veio o tempo negro e, à força, fez comigo
o mal que a força sempre faz.
Não sou feliz, mas não sou mudo:
hoje eu canto muito mais"

Galos, Noites e Quintais (Belchior)



sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Cantador - Costa Senna

(foto extraída do Face do artista Costa Senna)


EM CENA

Se Senna nunca deus as costas
O Costa nunca sai de cena
Seja qual área for a aposta
Sorte quem tem Costa Senna
Seja na poesia de Costa 
Seja na embolada de Senna 
No violão e na voz bem posta
Na simpatia que Costa encena
A verdade é que a gente gosta
De estar perto de Costa Senna

Poema feito em homenagem ao multiartista Costa Senna, por ocasião de seu aniversário. Poema inspirado (sem a mesma mestria, claro) em outro, de sua criação, no qual ele se apresenta ao público e a quem perguntar quem é ele.

Uma das várias canções que ele canta.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Peleumonia

A poesia foi criada baseada, infelizmente, em fatos reais (mesmo com os devidos pedidos de desculpa, deixou a mácula, não só na profissão, quanto no significado de SER humano). Mas a arte traz a indiferença, a distância entre pessoas e o que elas pensam ser a mais que outras, seja por estar em posição socioeconômica melhor, seja por ter melhor formação ao longo da vida.
O fragmento de foto foi tirado de uma foto de idoso. Pelo estilo, parece-me do Sebastião Salgado, embora eu não tenha conseguido achar a devida referência ao autor.

domingo, 12 de abril de 2015

À deriva

Imagem sugerida por TaniaContreiras Arteterapeuta, retirada da web, sem crédito marcado, que deu origem a esse poema:

À deriva

Se o barco flutua no céu
Deixem que meus pensamentos
Sejam peixes ornamentais
Daqueles que encantam
E pairam em águas celestes
À espera de pescadores
De versos e sentimentos
Multifacetados e coloridos
Daqueles que hipnotizam
E fazem se perder
Em turbilhões atemporais
Confusão entre o quase e o agora
Entre presente, passado e futuro
Que minhas pulsações
Oxigenem os fluídos
E mantenham vivo o navegar
Que meu barco continue
Assim, vagando
Sem rumo, sem prumo
À deriva

Manogon


terça-feira, 29 de julho de 2014

Fra(e)ternidade


Amigo é um doce

Uma reza
Um abrigo
Um afago

Amigo é azedo
É bronca comedida
É pegar no pé
Cutucar na ferida

Amigo é espelho
Repetir gestos
Vestir a sombra
Sentir a dor
Secar as lágrimas

Amigo é ser
E mais que ser
Estar
Sentir
Pulsar

Amigo é pular
Seja corda
Seja abismo


Amigo é saudade

Do que foi
De quem foi
Do que está
Do que vem
Do que será

Amigo é nada

Simplesmente 
O vazio
O vácuo
O entender de olhares

Amigo é tudo

Meia no pé
Cobertor
Chocolate quente
Lenço de papel
Música brega
Filme antigo

Amigo é momento
A mão que empurra
O peito que afaga
O ouvido a espera
O sonho partilhado
Conquistas
Emoções etílicas
Vibrações físicas
Abraços

Amigo é amigo
Tudo isso
Nada mais
Ou só isso
E muito mais

Manogon

terça-feira, 17 de junho de 2014

VagArte

Se a vida se arrasta
Lenta
Se o vagar é um fardo
Aguenta
Se o deslizar é um arte
Inventa

Manogon

segunda-feira, 18 de março de 2013

Guerra e Paz


Guerra e Paz

Foi por pura opção
Não pela falta ou omissão
Nem imposto pela sociedade
Ou por sua condição

Deixou a bala de lado
A erva, o pó, a escravidão
Mas se armou de forma pesada
De caneta, papel e palavra

Saía só chumbo grosso
Às torrentes, às rajadas
Das linhas, trincheiras e fossos
Marcando na marra suas passadas

Da guerra entre alma e razão
Nuclear era sua convicção
Não quis ser guerrilheiro
Tão pouco era justiceiro

Mas fez da arte sua expressão
Em spray, tinta e pincel
Selou-se enfim o armistício
Hasteou sua branca bandeira
Nos muros da cidade inteira
Achou seu caminho de paz

Manoel Gonçalves
(foto: Borivoj Kuhar Cop)