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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Casebre

Poesia feita ao ver a excelente foto de Everaldo Ygor.


sábado, 22 de abril de 2017

Burlesco

Pintura feita por mim - tinta de tecido sobre algodão cru - Sebastião (A Pequena Sereia)

Burlesco

Alegria é pantomima 
Chega serelepe 
De caretas e trejeitos 
Fazendo salamaleques 
Ganha espaço 
Nos cobre o peito 
Mas como bom 
Personagem 
Apronta das suas 
Bagunça a história 
Ganha as ruas 
Depois parte 
Parece cansada 
Sem fazer alarde 
Cria suspense 
Pra que ninguém pense 
Que voltará mais tarde 

Manogon

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Achados e Perdidas

Imagem: freepik.com


Achados e Perdidas


Tantas balas
Perdidas

Quantas valas
Perdidas

Muitas vilas
Perdidas

Pobres vidas
Perdidas

Podres almas
Perdidas

Esperanças, expectativas
Perdidas

Fé de um futuro melhor
Perdida

As balas que zunem
Perdidas

As pessoas que caem
Perdidas

A sociedade ruída
Perdida


Sonhos estilhaçados
Achados

Corpos ensanguentados
Achados

Membros perfurados
Achados

Medos insignificantes
Achados

Seres não seres
Achados

Vítimas das perdidas
Achados

Tristezas e velórios
Achados

Comburentes pra fogueira
Achados

...

Cuidado!
Agacha!


Mais uma perdida
Espero que não encontre
Alguém


Ei, pode levantar, ela já passou
Ei, levanta!


Levanta, porra!

...

Menos uma perdida
Mais um achado!

Manogon

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Morrida

Para Maria Eduarda. E tantas outras marias e zés que têm suas luzes apagadas para satisfação de um sistema arbitrário, seja do crime, seja da lei e ordem. Na guerra quem perde são os achados pelas perdidas, balas lançadas a esmo, com intenção, mas sem destino, julgando, dando veredito final e executando a sentença de imediato a quem sequer pediu sua opinião.


segunda-feira, 20 de março de 2017

Rimas Falsas

banco de imagens


Rimas falsas

Povo rima com borracha
Na bala que não é de açúcar
Povo rima com bota
Na cara na bunda
Bota na cadeia
Povo rima pau
De arara, de sebo
De dar em doido
De quebrar na cacetada
Povo rima com pólvora
Como disse o poeta*
Povo rima com tiro
Pra cima pro lado
Pra ficar perdida
A bala que acha um perdido
Povo rima em verso
De pé quebrado
Costela, dente, braço
Pra quem não quer saber do povo
Povo rima até com vermelho
Da conta bancária
Do sangue que jorra

Manogon

*O amigo poeta Escobar Franelas citou essa frase no contexto de poder de movimentação do povo em protesto contra a ré-forma da p(b)revidência. Mas faço uma inversão aqui para mostrar que o povo é visto mesmo por quem detém o poder como bucha de canhão ou como alvo da pólvora.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Amparo Literário - Sarau Simpósio de Artes Integradas

Sábado, 11-03, em um encontro muito legal entre pessoas que fazem e que apreciam arte e cultura em geral, na Fábrica de Cultura Tiradentes, terei a honra de participar como convidado, juntamente com uma galera legal. Entrada gratuita. Quem apreciar e morar em Sampa, basta ir.

Nenhum texto alternativo automático disponível.




domingo, 5 de março de 2017

Batida de Frente

Um poema protesto por tanta violência contra a mulher, por muitas ainda acharem que estariam erradas se denunciassem, por algumas (ou sei lá quantas) aceitarem viver assim, seja por medo de acabar o relacionamento, seja por medo das ameaças sofridas constantemente por aquele que deveria ser o companheiro de lutas e conquistas, seja pela imposição da sociedade ainda machista.

Arte sobre foto de banco de imagens.


Batida de frente 

Bate
E volta
E vem
E vai

Bate e vai!

Vem...

Volta!
Volta...

E bate!

E bate?

Ah, não!

Se bater, vai
Se bater, volta

...

Volta pra puta-que-pariu!

...

Porque na minha cara
Filho da puta nenhum
Não bate mais

Nem de ida
...
Nem de volta

Manogon 

Elza Soares canta essa maravilha, Maria da Vila Matilde.
"Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim".