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terça-feira, 24 de abril de 2012

Jeito Simples




Jeito simples

Sentado à beira da porta
Escorado no batente
Olhando pro nada
Vendo as galinhas correr
Sentindo a brisa da tarde
Descansando o esqueleto
Moído da lida diária

Espreitando o laranja do céu
Se perdendo em meio à fumaça
Do cigarro de palha
Do fogão à lenha
Do café fresquinho
Na caneca de estanho

A “nega” se balança na rede
Os filhos estão por aí
O sorriso estampa alguns dentes
O rosto é marcado por rugas
Do sol, da idade, da vida

Assim, a noitinha chega
E só resta ir pra rede
Que o dia se aproxima
A madrugada fria o espera
Num convite rotineiro e solitário

Antes que o dia clareie
Antes mesmo que ele esquente
Seu suor já terá molhado a roupa
Sua fome se fará quase danada
E suas mãos não sentirão nada
De tão acostumadas e calejadas

Assim ele contempla sua terra
Sua vidinha simples no sertão
Apanha seu facão e o enxadão
E se embrenha na roça
Pra garantir da família o pão

Nessa paz, nesse silêncio
Que as cidades desconhecem
Nesse som desbravador
Que o cimento não ecoa
Tudo seguirá seu ritmo
Suado, mirrado e árduo
Mas feliz
Feliz por ser tão seu

Tão seu como o fim de tarde
A fumaça...
O café...
E a rede...

Manoel Gonçalves

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Lá vem o Sol


Hoje o sol passa tímido entre as árvores
Hoje a luz derrama suas lágrimas sobre o solo
Hoje a paisagem é um tanto lânguida
A terra se resigna e recolhe suas cores
É dia de nevoeiro, dia arrastado, dia de reflexão
Dia de silhueta da mata, das montanhas, do humano
Dia de guardar a semente no solo úmido
De elas mesmas ficarem sob folhagens mortas
À espera da luz solar, do ar, da fotossíntese
À espera do sol a banhá-las com calor
E da chuva repentina a refrescar
É dia nublado, dia vagaroso, de pensar em vão
De aproveitar a neblina cortinando a alma
De descortinar os horizontes da visão
Umedecer as palmas no rio, acariciar a pedra
É dia de revolver a terra, demonstrar gratidão
Por toda a obra produzida, presenteada pela Natureza
Sem que um artista precisasse tocar-lhe em nada
As matérias são fartas
Os frutos são fartos
Os insumos reconfortantes
Finitos assim como tudo que nela está
Hoje o sol passa tímido entre as árvores
Chora seus fachos de luz
Escorrem entre os dedos das imensas árvores
É dia de nevoeiro, dia arrastado, dia de reflexão
Amanhã tudo se renova, tudo em si inova
E o Sol? Como diz uma bela canção dos Beatles
“Here comes the Sun, here comes the Sun
And I say it’s all right…”
E eu digo embalado pela melodia
IT’S ALL RIGHT! Pois lá vem o SOL.
 
Manoel Gonçalves

Obs: O título é igual a tradução da música, não como plágio, mas porque a mesma me serviu de inspiração, assim como a imagem anexa (retirada do banco de imagens free da Microsoft e modificada) e esse dia cinzento e chuvoso.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Nascente

Ter um tempo para si
Parar, sentar, sentir a brisa
Olhar o horizonte
Sentir o perfume das flores
O calor do Sol matutino
O beijo do mar na praia
E a certeza que a natureza é sabia
E que esse dia é especial
E o melhor é saber que tudo isso
Se renova a cada dia

Manoel Gonçalves