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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Libras Viciadas

Foto: edição sobre imagem da Shutterstock

Libras Viciadas
(Manogon)

Panelas
Mudas
Sem pá nelas
Sujas
Sem brilho
De flanelas
Sem luzes
Piscando
Sem uivos
Nas janelas
Sem tornozeleiras
Nas canelas
Sem coxinhas
Nas ruelas
Sem o nojo
Das mortadelas

Pancadas
Nas passarelas
Pedradas
Em vidros sem telas
Pancadões
Na madruga das favelas
Falta a carne
Rói-se o osso
Em bocas frouxas
Banguelas
Mas no Planalto
Tem galinha
À cabidela
Em banquetes
Sem panelas

Panelas
Mudas
Justiça
Cega
Surda
Panelinhas
Das horas
Imundas

Manchetes velhas
Realidade absurda
Ruas vazias
Luzes piscam só ao Noel
Congresso de chupins
Senado sem nada
Sem a sumida vergonha
Assumida mente
E o silêncio absoluto

No apagar das luzes

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Cantador - Costa Senna

(foto extraída do Face do artista Costa Senna)


EM CENA

Se Senna nunca deus as costas
O Costa nunca sai de cena
Seja qual área for a aposta
Sorte quem tem Costa Senna
Seja na poesia de Costa 
Seja na embolada de Senna 
No violão e na voz bem posta
Na simpatia que Costa encena
A verdade é que a gente gosta
De estar perto de Costa Senna

Poema feito em homenagem ao multiartista Costa Senna, por ocasião de seu aniversário. Poema inspirado (sem a mesma mestria, claro) em outro, de sua criação, no qual ele se apresenta ao público e a quem perguntar quem é ele.

Uma das várias canções que ele canta.

Cantador - Cacá Lopes

(foto extraída do perfil do artista Cacá Lopes)



Cantador


Cacá Lopes
Poeta de grande porte
Da luta de homem forte
Na vida não espera a sorte
A arte em si é seu Norte

Cacá Lopes 
Artista desde menino
Cantador nordestino
Cordel foi seu ensino
Pra trilhar seu destino

Cacá Lopes
Amigo bom que eu fiz
Do qual fico muito feliz
Nas coisas belas que diz
Da riqueza do nosso País

Cacá Lopes
Verdadeiro artista nato
Versando qualquer fato
Quem ouve fica grato
Pela elegância do trato

Cacá Lopes
Cantador
Violeiro
Cordelista
Guerreiro

Manogon

Poema feito em homenagem ao amigo Cacá.

Abaixo a música de grande sucesso: O que é que Cacá quer?

https://www.youtube.com/watch?v=_pXCm6EoBRI

sábado, 19 de novembro de 2016

Escoamento

Foto: Dreamstime


Escoamento

Nas horas mudas
Da madrugada
Fria
Sob o roto relógio
De pêndulo
Na parede
O cuco quebrado
Pendia
Feito bêbado
Deixando escapar
Das suas entranhas
O tempo perdido

Desciam em cascatas
Segundos
Minutos
Horas a fio
Indefinido
O ponteiro biruta
Via-as passando depressa
Sem direção
Ora solitárias
Ora aos montes

As horas caíam
Do abismo
...
Uma
Duas
Dez
Dezenas
Um ano inteiro
Uma vida inteira

Manogon

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Apresentação na Casa Amarela - Teatro

Um fim de tarde de domingo, dia chuvoso, diversas pessoas se aglomeram em um só lugar. Apesar do aperto e do avançar das horas, ninguém quer ir embora, ninguém quer perder um só lance. Partida de futebol? Show no metrô? Nem de perto. Estão ali para apreciar, fazer, acontecer, vivenciar e se inspirar na arte. Desfile de todas as vertentes dessa fértil progenitora. São artistas, são amantes da arte, são pessoas comuns... algumas mais conhecidas, outras dando seus primeiros passos. Isso não importa! O que importa é a força que move todos, encontrar amigos e partilhar momentos de sensibilidade, de revigorantes intervenções artísticas, combustível necessário para tocar a vida e enfrentar os obstáculos cotidianos. Sair dali com as forças renovadas e acreditando que ainda vale a pena fazer e produzir arte e que ela não está enclausurada em muros altos, cofres protegidos, palcos distantes, jabás impagáveis, estrelato inalcançável.
Foi nesse clima que apresentei uma esquete teatral. Um texto quase improvisado, costurando letras de músicas conhecidas como O Morro Não tem Vez, Cidadão, Um Homem Também Chora e Saudosa Maloca, com a dramatização em torno de um tema. Espero que gostem.
Agradeço ao Escobar Franelas pela captação da imagem com o meu celular, ao Milton Luna pela edição e, claro, à Casa Amarela pela sempre agradável receptividade, espaço de vivência artística que é encabeçado pelo casal de agitadores/fomentadores culturais Akira Yamasaki e Sueli Kimura.


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Tecla Mute



Tecla Mute

Silêncio
É pétala que cai
Espinho que não morre
Preso na pele
Perfura

Silêncio
Cessem o barulho
Os sons de buzinas
Dos carros engripados
Das vozes afônicas

Preciso ouvir
Preciso ver
Sentir
No quieto do dia
Sua pele
Seu cheiro
Sua alegria

Que guardo em mim

O céu chora
A lágrima que não cai
Limpa negras nuvens
Mas encharca o chão
Encharca a alma
Provoca erosão

No silêncio
De mim mesmo
Ouço seu canto
E sinto seu toque


Manogon