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quinta-feira, 19 de julho de 2007

Quantos mais?

Diga-me uma coisa: quando você vai à padaria e pede um pão com mateiga e um cafè, o que se espera? Ser bem atendido, não é mesmo? Quando tem algum problema de saúde e vai ao hospital? Que também seja bem atendido (embora nem sempre é o que acontece). Quando se é contratado por alguma empresa ou presta-se algum serviço? Claro que o que esperam de você é dedicação e... ser bem atendido, ou seja, desenvolver um bom serviço. Então por que isso não acontece quando contratamos (através do voto direto ou do ato de delegar poder a outro para que se escolha a mão-de-obra) alguma autoridade ou órgão do governo? Será que é difícil perceber que somos seus clientes e os mais interessados em que tudo seja feito da melhor forma possível e que sejamos também bem atendidos?

Impossível não opinar sobre a tragédia que, mais uma vez, chocou o país. A comoção generalizada, e que me emocionou também, é tanta que, mesmo que eu escrevesse um carta extensa aqui, não representaria nenhum um milésimo da dor que os familiares e amigos estão sentindo. Mas é triste ver que, com ou sem crise ou apagão aéreo, a dúvida sobre os fatos e a segurança dos vôos e aeroportos do país deixa um rastro de indignação, revolta, impotência, angústia e medo.

O pior é saber que as possíveis condições causadoras desse acidente, especificamente, poderiam fazer parte de um plano de contingência, de gerenciamento de crise, de prevenção e manutenção das pistas, e não foi feito o suficiente. Essa é minha opinião, baseada em reportagens e entrevistas que vi e ouvi sobre as eventuais causas. Os indícios podem ser comprovados ou contestados. É evidente que tudo deve ser apurado, levantadas as causas e possíveis culpados, para as devidas punições e indenizações cabíveis. Mas, sinceramente, isso só conforta o sentimento de justiça pulsante em cada um de nós. Isso não traz o ente querido que disse até logo e não voltou mais. Não faz emudecer o grito histérico da mãe que se despediu dos dois filhos e agora, o chão faltou e o mundo lhe caiu na cabeça.

Um assunto como esse deve ser tratado com sutileza e cautela. O que não pode e não deve acontecer é o que sempre se vê: polêmica, numerosas entrevistas, choque geral em todas as classes, momentânea mobilização nas instituições governamentais (independente do partido), oportunismo favorecendo governo ou oposição, gente querendo aparecer ou ganhar mais poder. É imprescindível que se faça de tudo para prevenir (desde uma manutenção até o desvio de vôos, ou quem sabe a possibilidade de construção de um novo aeroporto, em outra região. Isso só as pessoas "competentes" podem dizer) e evitar novas tragédias. Escuta-se falar em cifras para todo canto, até mesmo nos escândalos de corrupção. Se usassem o mesmo esforço mental e organizacional para a prática do bem, esses milhares, milhões, bilhões trariam muitos benefícios para a nação.

Assim como é óbvio ser bem atendido na padaria, hospital e empresa, também devem ser bem resolvidos os anseios da população e suas carências, bem como os serviços a ela prestados. De fato, pouco importa se foi o partido A ou B que fez ou desfez. O importante é que nem um nem outro atrapalhe (interrompa ou mude ações que ajudem ao povo) e que sejam cumpridas as tão faladas promessas de campanha ou as falas de "povo querido". O mesmo se aplica às empresas que lucram com a aquisição dos serviços pelo cliente amigo, fiel e amado.


Afinal, quem ama protege, educa e dá condições de crescimento. Quem ama, não coloca a vida dos amados em risco.

2 comentários:

Ceila Santos disse...

bravo meu poeta. a blogosfera precisava de pessoas assim como vc. seja bem-vindo e é um prazer imenso ter alguém como vc na web para ler. acho que a questão não é porque? mas e agora, lula, deputados, senadores, ministros e entidades da força aérea, e agora imprensa? alguém precisa dar nomes aos bois antes que eles vão mais uma vez para matadouro. precisamos de respostas rápidas não de quem é o culpado simplesmente, mas principalmente do que será feito a partir de agora, investimento?, reformas? políticas? cadê os caras que podem mudar esta trajetória ou vão deixar mais esta tragédia em vão!????

Samantha Shiraishi disse...

Manoel, assino embaixo. Suas palavras são as de muitos de nós e mesmo que elas possam ser repetitivas ou corram o risco de soar como um hype do momento, considero necessário que falemos e mostremos que somos ainda humanos.