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terça-feira, 17 de junho de 2014

Penitência


Trago em mim
Estacas no peito
Na esperança de findar
O sofrimento vampiresco
O mal súbito noturno
O sangue que vertia ao inverso
Saindo de minhas feridas
De meus olhos lacrimejantes
Sanguíneo farol flamejante
Queimando, ardendo, ferindo
Trago em meu peito
As estacas que enfiei
Inocentemente, sem querer
Na jugular da amada
Assim, como coisa pouca
Ao preço de um simples riso
Sem nada lhe oferecer em troca

Manogon

terça-feira, 26 de abril de 2011

Joias Raras

De todas as coisas
As que me são mais belas
Não são os botões de rosa
Nem flores do campo amarelas

De todas as coisas
As que mais aprecio
Não são do fundo do mar
Nem das águas frias do rio

Das coisas todas
As que mais me encantam
Não são noites estreladas
Nem músicas que pássaros cantam

Das coisas todas
As que me chamam a atenção
Não estão no céu, no espaço
Nem enterradas no chão

De todas as coisas
Aquilo que mais fascina
Se esconde num gesto singelo
Num riso doce de menina

De todas as coisas
O que me deixa contente
São diamantes lapidados
Brilho nos olhos da adolescente

Das coisas todas
Todas as coisas que sinto
Bebo-as na fonte da amada
Saciando meu peito faminto

De todas as grandes coisas
Das que são na vida mais caras
Levo-as comigo e nunca abandono
Tesouro incalculável, minhas joias raras

Às minhas musas, mulheres da minha vida (seres merecedores da minha total admiração) e fonte inesgotável de inspiração.
Manoel Gonçalves