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terça-feira, 17 de junho de 2014

Penitência


Trago em mim
Estacas no peito
Na esperança de findar
O sofrimento vampiresco
O mal súbito noturno
O sangue que vertia ao inverso
Saindo de minhas feridas
De meus olhos lacrimejantes
Sanguíneo farol flamejante
Queimando, ardendo, ferindo
Trago em meu peito
As estacas que enfiei
Inocentemente, sem querer
Na jugular da amada
Assim, como coisa pouca
Ao preço de um simples riso
Sem nada lhe oferecer em troca

Manogon

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Riso Raso

Um riso raso
Raro e caro
Sem preparo
Sempre para
Se depara
Se deprava
Rico rio de raros
Risos Rasos

Raros risos
Raivosos, Rotos
Divididos
Distantes
De instantes
Raros e ralos

Escassos risos
Sorrisos díspares

Pare! Diz um riso
Dispara! O outro incita.

Ela só ri, sorriso raso
Não se excita nem hesita.

Disparo!

No canto da boca
Fluído em fluxo
Resta o resto
De um raro e caro
Raso ruído riso

Manogon

segunda-feira, 26 de março de 2012

Chico Mestre do Riso

Chico Mestre do Riso

Era Chico
Era Anysio
Um apenas não
Uma legião
É alegria
Inspiração
É, sim, e assim continuará
No presente, como presente
Intelecto, vontade, talento
Riso, magia que não se apagará

Era Chico
O Anysio
Oxi, Aff, Coisinha, ó Painho
Pô, ele também era Xovem
Era Tim, Justo e Paipai do Castrinho
Azambuja, Bento e Popó 
Coalhada e a falante Salomé
Silva, Tavares e Bozó
Pantaleão, marido de Té
Haroldo, o hetero pegador
Alberrrrto, o eloquente ator
E assim eram mais de duzentos
Sendo Raimundo o primeiro rebento

Nem só Chico
Nem Anysio somente
Muitos nomes, vozes, figurinos
Povoavam sua mente
Nem como Chico isolado estava
Em outras facetas da arte
Sendo destaque ou fazendo uma parte
Com competência transitava
Vai lá, mestre do riso
Querido Chico Anysio
Mas mande a Salomé se adiantar
Ligar pro Pedrão e reservar
Espaçoso e confortável lugar
Pois tem 200 para se hospedar

Manoel Gonçalves



Minha homenagem a quem entrava em nossa casa, mesmo sem pedir licença, e fazia do riso a sua crença, trazendo uma multidão de personagens engraçados e memoráveis. Pra quem não tinha medo da morte, tinha pena de morrer. Nós também. De perder uma pessoa talentosa e que faz o povo rir e de saber que o humor ficou mais pobre.