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quinta-feira, 8 de março de 2012

Dorme menina, dorme!

A criança grita
Sem parar ela chora
Mamãe quer dormir
Enlouquece, esbraveja, implora
Bate em tudo que vê
Quiçá até mesmo no bebê
A criança grita
Pede, berra, chora
Como sua genitora, também implora.
A ela, um pouco de atenção
Carinho de mãe, naninha
Palavras doces, canção
Mãos macias na sua carinha.
Àquela, um momento sem tensão
Sem carícia, sem astúcia, sempre cheia
Garganta arranha, roça raiva na mão
E a filha não dorme, se joga, esperneia
Pobres vítimas da diária labuta
Podre vitrine da fatigável luta
Ora inocente ora cheia de culpa
Mãe que não quer ser
Bebê que precisa crescer
Mãe, pra que você serve?
Se sua filha não vai amar
Bebê, por que você não dorme?
Assim não vai apanhar
E a noite se tornaria calma
Do jeito que deve ser
Dormiria sua inocência
Esperando o alvorecer
E aquela perdida alma
Cansada da violência
Talvez fosse amadurecer
Cuidando de sua criança
Para vê-la resplandecer
Calaria o grito e a pancadaria
Calaria a vizinhança
Que não mais se assombraria
Sem saber de onde vinha
Aquele som de estarrecer
E sem saber o que fazer
Dorme menina, dorme!
É o melhor que pode fazer.

Manoel Gonçalves (7-3-2012)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Lá vem o Sol


Hoje o sol passa tímido entre as árvores
Hoje a luz derrama suas lágrimas sobre o solo
Hoje a paisagem é um tanto lânguida
A terra se resigna e recolhe suas cores
É dia de nevoeiro, dia arrastado, dia de reflexão
Dia de silhueta da mata, das montanhas, do humano
Dia de guardar a semente no solo úmido
De elas mesmas ficarem sob folhagens mortas
À espera da luz solar, do ar, da fotossíntese
À espera do sol a banhá-las com calor
E da chuva repentina a refrescar
É dia nublado, dia vagaroso, de pensar em vão
De aproveitar a neblina cortinando a alma
De descortinar os horizontes da visão
Umedecer as palmas no rio, acariciar a pedra
É dia de revolver a terra, demonstrar gratidão
Por toda a obra produzida, presenteada pela Natureza
Sem que um artista precisasse tocar-lhe em nada
As matérias são fartas
Os frutos são fartos
Os insumos reconfortantes
Finitos assim como tudo que nela está
Hoje o sol passa tímido entre as árvores
Chora seus fachos de luz
Escorrem entre os dedos das imensas árvores
É dia de nevoeiro, dia arrastado, dia de reflexão
Amanhã tudo se renova, tudo em si inova
E o Sol? Como diz uma bela canção dos Beatles
“Here comes the Sun, here comes the Sun
And I say it’s all right…”
E eu digo embalado pela melodia
IT’S ALL RIGHT! Pois lá vem o SOL.
 
Manoel Gonçalves

Obs: O título é igual a tradução da música, não como plágio, mas porque a mesma me serviu de inspiração, assim como a imagem anexa (retirada do banco de imagens free da Microsoft e modificada) e esse dia cinzento e chuvoso.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Joias Raras

De todas as coisas
As que me são mais belas
Não são os botões de rosa
Nem flores do campo amarelas

De todas as coisas
As que mais aprecio
Não são do fundo do mar
Nem das águas frias do rio

Das coisas todas
As que mais me encantam
Não são noites estreladas
Nem músicas que pássaros cantam

Das coisas todas
As que me chamam a atenção
Não estão no céu, no espaço
Nem enterradas no chão

De todas as coisas
Aquilo que mais fascina
Se esconde num gesto singelo
Num riso doce de menina

De todas as coisas
O que me deixa contente
São diamantes lapidados
Brilho nos olhos da adolescente

Das coisas todas
Todas as coisas que sinto
Bebo-as na fonte da amada
Saciando meu peito faminto

De todas as grandes coisas
Das que são na vida mais caras
Levo-as comigo e nunca abandono
Tesouro incalculável, minhas joias raras

Às minhas musas, mulheres da minha vida (seres merecedores da minha total admiração) e fonte inesgotável de inspiração.
Manoel Gonçalves

Conto incômodo do canto de um cômodo qualquer

A pá arredondada e lisa do ventilador, em seu movimento livre, quase espontâneo, não fosse pela suave brisa a adentrar pela fresta da janela, reflete a cada giro a lânguida, porém desafiadora, luz emitida pelo tímido sol. A luminosidade amarelada vem banhar-me o rosto torpe, murcho como um pão amanhecido, amassado e retorcido ferro velho depositado na base de molas descompensadas e rangentes.
Essa luz intermitente, entrecortante, intrometida e interesseira, quer somente ser notada, deseja atenção plena. Ela não suporta me dividir com a penumbra e o mar de luzes coloridas que despontam no horizonte negro. Tampouco aceita a ideia de eu ser mais desperto no instante que ela está mais fatigada e busca o descanso do trabalho diário nesse lado do planeta. Ela, que tem a veneração máxima da maioria de seus filhos, só obtém um olhar secundário da minha parte. Sou filho da noite. Notívago nato.
Hão de me perguntar se sou avesso ao dia ou à luz intensa. Nada sério, digo. Eles me são bem caros. Sirvo-me deles muitas vezes. Não tenho mesmo vocação para modismos góticos ou folhetins vampirescos. Mas sou enamorado pela lua, principalmente a cheia (mera coincidência, insisto). Fascinado pela penumbra e pela vastidão perceptível de seu céu, só chego realmente ao meu ápice quando ele se tinge, primeiro num tom alaranjado, depois avermelhado, até chegar à ausência total da luz. É nesse momento que as forças se renovam, a metrópole pulula, ganha vida na efervescência das almas poéticas, etílicas, boêmias.
A radiante e teimosa luz não cansa de esbofetear minha face nessa manhã rançosa, querendo a todo custo transportar um pouco do calor do seu senhor e astro. Cansado desse vai-vem ininterrupto, forço-me a abrir os olhos. Primeiro relutante, querendo me esconder sob a cama, buscando qualquer coisa que impeça a luminosidade de ferir minha vista. Muito menos pelo desejo de despertar que uma impressão incômoda. Vencido pela insistência do brilho e pela sensação constante de que algo precisa ser feito. Viro-me para o lado, algo aporrinha. Sinto a pontada e então percebo uma lancinante vontade, a dolorida necessidade física de urinar. Lembro com muito custo que não deveria ter exagerado na ingestão de cerveja. Ah, mas a danada estava pra lá de gelada. Impossível resistir. A atmosfera era semelhante aos ares de uma estufa, como se a caldeira estivesse a uma laje abaixo de nós. A conversa animada com... putz, a vontade de novo! A galera animada... Ai, caramba, isso não importa agora. Não vai ter jeito. A luz não para. A dor aguda também não. Viro-me. Arrasto-me até a beirada do colchão. Um após o outro, os membros inferiores e superiores tentam reanimar o tronco e, por último, a cabeça. Toda fora de eixo, é claro. Sinos enormes me acompanham e não cessam de soar. Sigo ziguezagueando pelo cômodo, trôpego e desarranjado, a triste figura de um cavaleiro de Cervantes, junção de traços cubistas de Picasso mesclado às expressões marcantes de van Gogh. Um amontoado disforme, sem rosto definido, uma figura pra ser vista mesmo de longe, transfiguradamente colorido e retorcido. A vontade é imensa. O cansaço também. Dane-se o mundo machista! Sento-me na privada mesmo. Quem sabe acordo ou enfim cochilo. Enquanto a dor se dissipa, olho extasiado para a janela. A brisa bate. O alívio é um sopro gélido numa face suada. A cortina abre. E a bendita luz do sol me banha o rosto por completo.


Manoel Gonçalves

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Espetáculo Vinícius de Moraes – Soneto de uma Paixão

Oi, pessoal. Para os que ainda não sabem (e também para os que sabem, é claro), estou no elenco da peça Vinícius de Moraes – Soneto de uma paixão, a qual estreia dia 22 de setembro às 20h. Essa apresentação é fechada para convidados, mas faremos outras e conto com a presença de todos para prestigiar o trabalho desse grupo de jovens atores competentes (e alguns "velhacos" como eu, rsrsrs), mas acima de tudo para participar dessa “festa” em homenagem ao Poetinha e sua obra. Escolham o dia para ir e chamem os amigos. Bora lá se encantar com o teatro?


Vinícius de Moraes – Soneto de uma Paixão
Livre inspiração do livro Antologia Poética de Vinícius de Moraes com sua vida e obra. Direção e adaptação: Níveo Diegues
Grupo Drummond de Teatro


Release “Vinícius de Moraes- Soneto de uma Paixão”
Com a proposta de falarmos sobre a obra Antologia Poética de Vinicius Moraes, que este ano é leitura obrigatória nos principais vestibulares como UNESP, FUVEST, UNICAMP, decidimos  não só mostrar as poesias, como também contar a vida de Vinícius, desde os tempos de infância, seus amigos, amores, família.
O espetáculo conta a história de Vinicius de Moraes, desde a infância e toda sua trajetória, até sua partida. Mostra sua relação com a família, com as mulheres que tanto amou (afinal foram nove casamentos), com os amigos boêmios e grandes parceiros musicais. Sua relação com a poesia, que foi seu maior amor. Com cenas musicadas a peça mostra como foram compostas algumas das mais conhecidas músicas de Vinícius, como Garota de Ipanema, Aquarela, entre outras. Sempre abordando a vivacidade da obra do nosso Poetinha, o amor pelas coisas que fazia, tudo com muita música e poesia.
Para podermos contar melhor este historia para um público jovem, criamos um espetáculo que mescla fatos da vida, curiosidades, suas composições musicais, seus parceiros Toquinho, Tom Jobim, Baden Powell, Chico Buarque, Francis Hime e Carlos Lyra, entre outros e suas principais poesias.
Apresentações:
22/09 – quarta às 20h – estreia, para convidados - VIP
23/09 – quinta às 9h
24/09 – sexta às 9h
24/09 – sexta às 20h
25/09 – sábado às 20h
26/09 – domingo às 18h
27/09 – segunda às 15h
28/09 – terça às 9h (lotado)
29/09 – quarta às 20h
30/09 – quinta às 9h
01/10 – sexta às 9h

01/10 – sexta às 20h
02/10 – sábado às 20h
04/10 – segunda às 9h
04/10 – segunda às 20h – encerramento das apresentações para convidados – VIP


 






Obrigado.

Abraços.
Manogon