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quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O que resta ao povo?

Olá a quem me lê. Desculpem-me pela demora em postar aqui, mas anda meio corrido e o tempo um tanto escasso.

Esse blog tem a intenção de ser um espaço literário e também voltado à magia da paternidade e outras coisas que gosto. Mas, infelizmente, desde que eu o criei, só uma vez escrevi sem nada amargurante na cabeça.

Hoje não é diferente.

Ler a manchete de que o Renan foi absolvido e continua com o mandato foi um balde de gelo (com a brra inteira, sem derreter mesmo) na cabeça de quem acreditava na justiça.

Notem uma coisa: não sou eu quem diz que o que ele fez tinha irregularidades (então não digam que isso é perseguição política ou blá-blá-blá panfletário). A Polícia Federal, o Ministério Público, o Conselho de Ética do Senado, a cobertura jornalística que apura os fatos, todas as evidências apontavam para sua culpa e a atitude mais sensata, mais certa e mais moralizante era a sua renúncia ou a cassação.

Num ato digno de filme do Poderoso Chefão, onde a família protegia qualquer membro em perigo, o Senado saiu com uma votação "ultra secreta", totalmente na surdina. 40 a 35. 40 senadores que não escutaram aos anseios da população, 80 ouvidos que precisam urgentemente de uma manutenção (cotonete mesmo ou aquele jato de água morna para tirar o excesso de cera que obstrui a audição). Isso, sem falar nos outros 6 que ficaram vendo a banda passar, fingindo que não era com eles.

Bom, a nós, pobres votantes, eleitores que têm o livre arbítrio para escolher seus "representantes", órfãos de membros que sequer sabem que um dia fizeram parte da família do povo, que apenas se lembram da família corporativista e que encobrem as falhas dos amigos para que as suas não sejam apontadas; a nós, assalariados, pedrinhas saltitantes no chocalho da condução, amantes das filas e do descaso dos serviços públicos, pagadores compulsivos de impostos e brasileiros desatentos às mudanças na economia mundial; a nós, meus caros amigos, restam apenas uma lona, os pratos para equilibrar, a torta na cara e o grito do administrador do circo, pois o resto já temos.

Equilibramos nossos esqueletos na corda bamba da vida, no dia-a-dia em que temos de trabalhar, lutar pelo nome limpo e a comida na mesa, pela educação a pulso firme das crianças (porque não é fácil explicar essas coisas a elas quando somos questionados sobre a justiça), sambamos num picadeiro e temos a cara pintada, não a dos iludidos que acham que fizeram o impeachment do Collor, mas a do palhaço que faz os outros rir sem sequer notar sua cara engraçada e empastelada de tinta.

E olha que gente rindo da nossa cara tem aos montes.

Um comentário:

Samantha Shiraishi disse...

Manoel
excelente questionamento.
Ontem ao ver a notícia da votação no Senado fiquei calada, o que é raro. Creio que, como muitos, fiquei tão estupefata que calar foi uma defesa interna.
Divulguei no Rec6 e no meu blog, tá?
Sam