Um momento especial
Várias pessoas, um ideal
Um riso, uma vibração
Um afago, uma carícia
Sem maldade, sem malícia
Um beijo, um perdão
Olhares brandos
Falas carinhosas
A correria mais sossegada
A pressa mais vagarosa
A hora quase parada
É instante de paz, reflexão
A renovação solta no ar
A esperança em forma de canção
Corpos, mentes, almas, corações
Jovem ou ancião; homem ou mulher
Encontro de muitas gerações
(Re)nascimento de cada ser
Manoel Gonçalves
Constantemente recebemos inúmeras informações. Todas interferem em nossa maneira de ver o mundo. E quando a janela abre uma fresta, a luz irradia, transborda e com ela, vão as palavras, os sentimentos, a visão do mundo, emoções, alegrias, tristezas, os risos e os bichos que estão presentes em cada um.
terça-feira, 17 de março de 2009
segunda-feira, 16 de março de 2009
MARCAS
A menina cobre seu rosto
De sujeira, de vergonha, de medo
De incerteza no dia seguinte
Aprende a se virar desde cedo
Rotina sem nenhum requinte
Nada que pareça errado
Apenas um grave pecado
O fato de ter nascido
A menina cobre seu sorriso
Suas bonecas são trapos
Pedaços de madeira e panos rotos
Sua brincadeira é rir dos outros
Um riso nervoso e amedrontado
Que transpassa pelo vidro
E assusta quem está do outro lado
A menina cobre sua boca
Não sorri a boca banguela
Não mostra sua graça
E descalça, desnuda,
Desequilibrada
Troca um falso carinho
Pela proteção agressiva
De loucos e preguiçosos padrinhos
A menina cobre a si mesma
E de repente repete a sina
De tantas outras meninas
Perdidas, pedintes, pedantes
Encobrindo um corpo frágil
De malícia e jeito fútil
De pedidos no farol
De farrapos maltrapilhos
Maltratados, mal trajados
O rosto esturricado do sol
A sujeira lavada na chuva
São lágrimas
São lástimas
São gotas de suor
Que escorrem pelo rosto
E levam no sal sujo
A amargura e o mau gosto
Da vida que lhes é impelida
E a muito contragosto, engolida.
Manoel Gonçalves
De sujeira, de vergonha, de medo
De incerteza no dia seguinte
Aprende a se virar desde cedo
Rotina sem nenhum requinte
Nada que pareça errado
Apenas um grave pecado
O fato de ter nascido
A menina cobre seu sorriso
Suas bonecas são trapos
Pedaços de madeira e panos rotos
Sua brincadeira é rir dos outros
Um riso nervoso e amedrontado
Que transpassa pelo vidro
E assusta quem está do outro lado
A menina cobre sua boca
Não sorri a boca banguela
Não mostra sua graça
E descalça, desnuda,
Desequilibrada
Troca um falso carinho
Pela proteção agressiva
De loucos e preguiçosos padrinhos
A menina cobre a si mesma
E de repente repete a sina
De tantas outras meninas
Perdidas, pedintes, pedantes
Encobrindo um corpo frágil
De malícia e jeito fútil
De pedidos no farol
De farrapos maltrapilhos
Maltratados, mal trajados
O rosto esturricado do sol
A sujeira lavada na chuva
São lágrimas
São lástimas
São gotas de suor
Que escorrem pelo rosto
E levam no sal sujo
A amargura e o mau gosto
Da vida que lhes é impelida
E a muito contragosto, engolida.
Manoel Gonçalves
sexta-feira, 13 de março de 2009
Nascente
Ter um tempo para si
Parar, sentar, sentir a brisa
Olhar o horizonte
Sentir o perfume das flores
O calor do Sol matutino
O beijo do mar na praia
E a certeza que a natureza é sabia
E que esse dia é especial
E o melhor é saber que tudo isso
Se renova a cada dia
Manoel Gonçalves
Parar, sentar, sentir a brisa
Olhar o horizonte
Sentir o perfume das flores
O calor do Sol matutino
O beijo do mar na praia
E a certeza que a natureza é sabia
E que esse dia é especial
E o melhor é saber que tudo isso
Se renova a cada dia
Manoel Gonçalves
quinta-feira, 12 de março de 2009
Fraterno
Em cada texto escrito
Uma palavra oculta
Um sentimento implícito
Uma saudade que machuca
Em cada verso lido
Um furor abrandado
Um ente lembrado
Na mente o momento revisto
Em cada olhar
Risos incontidos, afagos
Braços conhecidos
Contatos perdidos, vagos
Ou cultivado diariamente
Aos poucos desenvolvido
Cada gesto ofertado
Calor, amor e carinho
Lágrimas escorridas
Gente muito querida
Abraços apertados
Simples, estabanados
Vívidos, sinceros
Renovados, fraternos
Manoel Gonçalves
Uma palavra oculta
Um sentimento implícito
Uma saudade que machuca
Em cada verso lido
Um furor abrandado
Um ente lembrado
Na mente o momento revisto
Em cada olhar
Risos incontidos, afagos
Braços conhecidos
Contatos perdidos, vagos
Ou cultivado diariamente
Aos poucos desenvolvido
Cada gesto ofertado
Calor, amor e carinho
Lágrimas escorridas
Gente muito querida
Abraços apertados
Simples, estabanados
Vívidos, sinceros
Renovados, fraternos
Manoel Gonçalves
quarta-feira, 11 de março de 2009
Carta de um cristão: pequena conversa com o Criador
Oi, meu Senhor, me desculpe o atrevimento e a descompostura por não estar em Sua casa e vir falando como se fosse um chegado Seu, mas é que eu precisa ter uns dedinhos de prosa (como dizem os matutos) e não queria intermediário ou cerimônia.
Olha, anda acontecendo uns negócios esquisitos aqui na terra que o Senhor criou e com o povo que foi colocado nela. Eu fico sem entender direito. Penso, penso e penso, mas não consigo chegar a conclusão alguma. Quem sabe o Senhor não dá uma luz... Tudo bem que dizem que há representantes Seus aqui e que eles podem explicar tais “mistérios da fé”, porém, eles andam falando cada coisa que a gente fica desconfiado de tudo, sem saber se ainda dá para acreditar neles.
Vou tentar me explicar. Vira e mexe, por essas bandas de cá, o povo inventa umas catástrofes, mortes e mortes sem propósito, guerras e mais guerras em Seu nome e mais tantas ações descabidas, também usando a Sua imagem, na intenção de barrar os primeiros raivosos. Vez ou outra, um de Seus filhos inventa de ficar louco e sair baixando o porrete ou metendo bala em qualquer um que passa pela frente. Bom, mas como o Senhor tá em todo o canto, isso já é sabido, né mesmo? Mas o que está me tirando o humor é o que aconteceu com a pobre menina de 9 anos. Isso deixa a gente de cabelo em pé. Só o acontecido já é motivo para ficar pasmo e sem ter fé na bondade do ser humano (me desculpe a sinceridade).
Pai e mãe foram escolhidos para cuidar dos filhos. Padrasto ou madrasta tem de assumir a responsabilidade que lhe é cabida. A criança, que não tem maldade e não consegue perceber o quão sacana pode ser um adulto, confia cegamente e se ampara nessas pessoas. Como é que alguém, dotado de todos os artifícios da inteligência, usa tudo isso para se aproveitar de uma pobre criança, com apenas seis anos e da irmã mais velha, com deficiência? Quem deveria protegê-la e dar amparo, no caso, foi justamente o monstro que acabou com sua pureza e a condenou a viver com essa lembrança pro resto da vida. E se não fosse a equipe médica que impediu essa gravidez maluca de ir adiante, ainda teria dois frutos dessa violência. Se é que conseguiria levar isso adiante, pois uma criança, sem estrutura formada adequadamente para ser mãe, sem condições psicológicas, sem tamanho e peso adequados, carregar mais da metade do seu peso na barriga (considerando que uma mulher engorda bastante na gestação), não sei se a menina aguentaria.
Quando todos pensavam que a barbaridade tinha limite, aparece um de Seus servidores, com o dedo esticado e nariz empinado, condenando a ação médica e amaldiçoando-os. E ainda pior, dizendo que o padrasto cometeu um pecado menor! Que esses são os ensinamentos bíblicos e que a igreja defende a vida, os preceitos do Criador e de Seu Filho. O que é isso, meu Senhor? Não posso crer que seja essa entidade punidora dos seres que criou, que está ali, vigilante, esperando alguém escorregar, para terminar de dar-lhe a rasteira e apontar Seu poderoso dedo. Sempre aprendi que o Senhor é amor e bondade. Mesmo com doenças e outros males, não dá pra acreditar que seja tão contraditório.
Claro que, como cristão, defendo a vida, mas qual vida teria essa criança (mesmo com apoio psicológico como falaram), qual vida repleta de ensinamentos ela teria para oferecer aos futuros nenês?
A pessoa que se infla ao dizer que é Seu servidor não é pai, não é mãe, não tem filhos, não tem preocupações constantes com sua família, não é médico. Como pode ela julgar o que é melhor ou não para as outras pessoas? Como ele pode falar por Sua boca e dizer que essa é a Sua vontade? Será que ele esqueceu das barbaridades que a igreja já cometeu e dos escândalos (incluindo a prática de pedofilia) associados aos "colegas de fé"? Não é igualmente monstro aquele que se apoia em verdades inquestionáveis para punir alguém que vá contra essas ideias e, ao mesmo tempo, livra o culpado da monstruosidade? É dito que somos Sua imagem e semelhança, mas acho que a comparação está sendo invertida, pois estão inventando um Criador à imagem e semelhança do ser humano, com as mesmas limitações e com o mesmo dedo em riste. Assim, esse "criador-criado" pode vigiar e punir, dizer quem está certo ou errado, assim como emitir novas listas de pecados, isentar monstros como o fulano que fez essa maldade e condenar as pessoas que salvaram a vida da criança.
Sendo pai e cidadão, peço todos os dias que nada aconteça às minhas crianças ou com os filhos de quem quer que seja, não porque me acho acima do bem e do mal, mas porque tento viver o amor pleno, aquele que acredito que venha verdadeiramente da Sua divindade e porque, caso aconteça, temo esquecer os preceitos de ser cristão. Não importa como O chamam e nem mesmo se dão algum nome ao Senhor, o que importa é que, de uma forma ou outra, sempre há fé nesse amor que pode mudar as pessoas e o mundo.
Sei que me estendi, mas quem sabe o Senhor me ajuda a compreender esse absurdo. Sim, porque aceitar, não dá. Depois, os mesmos servidores perguntam por que a Sua casa esvazia a cada dia, por que as pessoas não assumem a religiosidade. Tenho algumas suspeitas sobre a(s) resposta(s), mas isso já é outra conversa.
Obrigado,
Um cristão.
A carta é fictícia, mas poderia não ser. A violência contra a menina é real, mas deveria não ser. Os dogmas seculares existem, manipulados e manipuladores também, mas a natureza humana é mutável e ninguém pode controlar a vontade e os sonhos das pessoas, mesmo que queira, mesmo que as aprisionem, ainda restarão os pensamentos e os labirintos da mente. Ali, ninguém pode invadir e se apossar.
Manoel Gonçalves
Olha, anda acontecendo uns negócios esquisitos aqui na terra que o Senhor criou e com o povo que foi colocado nela. Eu fico sem entender direito. Penso, penso e penso, mas não consigo chegar a conclusão alguma. Quem sabe o Senhor não dá uma luz... Tudo bem que dizem que há representantes Seus aqui e que eles podem explicar tais “mistérios da fé”, porém, eles andam falando cada coisa que a gente fica desconfiado de tudo, sem saber se ainda dá para acreditar neles.
Vou tentar me explicar. Vira e mexe, por essas bandas de cá, o povo inventa umas catástrofes, mortes e mortes sem propósito, guerras e mais guerras em Seu nome e mais tantas ações descabidas, também usando a Sua imagem, na intenção de barrar os primeiros raivosos. Vez ou outra, um de Seus filhos inventa de ficar louco e sair baixando o porrete ou metendo bala em qualquer um que passa pela frente. Bom, mas como o Senhor tá em todo o canto, isso já é sabido, né mesmo? Mas o que está me tirando o humor é o que aconteceu com a pobre menina de 9 anos. Isso deixa a gente de cabelo em pé. Só o acontecido já é motivo para ficar pasmo e sem ter fé na bondade do ser humano (me desculpe a sinceridade).
Pai e mãe foram escolhidos para cuidar dos filhos. Padrasto ou madrasta tem de assumir a responsabilidade que lhe é cabida. A criança, que não tem maldade e não consegue perceber o quão sacana pode ser um adulto, confia cegamente e se ampara nessas pessoas. Como é que alguém, dotado de todos os artifícios da inteligência, usa tudo isso para se aproveitar de uma pobre criança, com apenas seis anos e da irmã mais velha, com deficiência? Quem deveria protegê-la e dar amparo, no caso, foi justamente o monstro que acabou com sua pureza e a condenou a viver com essa lembrança pro resto da vida. E se não fosse a equipe médica que impediu essa gravidez maluca de ir adiante, ainda teria dois frutos dessa violência. Se é que conseguiria levar isso adiante, pois uma criança, sem estrutura formada adequadamente para ser mãe, sem condições psicológicas, sem tamanho e peso adequados, carregar mais da metade do seu peso na barriga (considerando que uma mulher engorda bastante na gestação), não sei se a menina aguentaria.
Quando todos pensavam que a barbaridade tinha limite, aparece um de Seus servidores, com o dedo esticado e nariz empinado, condenando a ação médica e amaldiçoando-os. E ainda pior, dizendo que o padrasto cometeu um pecado menor! Que esses são os ensinamentos bíblicos e que a igreja defende a vida, os preceitos do Criador e de Seu Filho. O que é isso, meu Senhor? Não posso crer que seja essa entidade punidora dos seres que criou, que está ali, vigilante, esperando alguém escorregar, para terminar de dar-lhe a rasteira e apontar Seu poderoso dedo. Sempre aprendi que o Senhor é amor e bondade. Mesmo com doenças e outros males, não dá pra acreditar que seja tão contraditório.
Claro que, como cristão, defendo a vida, mas qual vida teria essa criança (mesmo com apoio psicológico como falaram), qual vida repleta de ensinamentos ela teria para oferecer aos futuros nenês?
A pessoa que se infla ao dizer que é Seu servidor não é pai, não é mãe, não tem filhos, não tem preocupações constantes com sua família, não é médico. Como pode ela julgar o que é melhor ou não para as outras pessoas? Como ele pode falar por Sua boca e dizer que essa é a Sua vontade? Será que ele esqueceu das barbaridades que a igreja já cometeu e dos escândalos (incluindo a prática de pedofilia) associados aos "colegas de fé"? Não é igualmente monstro aquele que se apoia em verdades inquestionáveis para punir alguém que vá contra essas ideias e, ao mesmo tempo, livra o culpado da monstruosidade? É dito que somos Sua imagem e semelhança, mas acho que a comparação está sendo invertida, pois estão inventando um Criador à imagem e semelhança do ser humano, com as mesmas limitações e com o mesmo dedo em riste. Assim, esse "criador-criado" pode vigiar e punir, dizer quem está certo ou errado, assim como emitir novas listas de pecados, isentar monstros como o fulano que fez essa maldade e condenar as pessoas que salvaram a vida da criança.
Sendo pai e cidadão, peço todos os dias que nada aconteça às minhas crianças ou com os filhos de quem quer que seja, não porque me acho acima do bem e do mal, mas porque tento viver o amor pleno, aquele que acredito que venha verdadeiramente da Sua divindade e porque, caso aconteça, temo esquecer os preceitos de ser cristão. Não importa como O chamam e nem mesmo se dão algum nome ao Senhor, o que importa é que, de uma forma ou outra, sempre há fé nesse amor que pode mudar as pessoas e o mundo.
Sei que me estendi, mas quem sabe o Senhor me ajuda a compreender esse absurdo. Sim, porque aceitar, não dá. Depois, os mesmos servidores perguntam por que a Sua casa esvazia a cada dia, por que as pessoas não assumem a religiosidade. Tenho algumas suspeitas sobre a(s) resposta(s), mas isso já é outra conversa.
Obrigado,
Um cristão.
A carta é fictícia, mas poderia não ser. A violência contra a menina é real, mas deveria não ser. Os dogmas seculares existem, manipulados e manipuladores também, mas a natureza humana é mutável e ninguém pode controlar a vontade e os sonhos das pessoas, mesmo que queira, mesmo que as aprisionem, ainda restarão os pensamentos e os labirintos da mente. Ali, ninguém pode invadir e se apossar.
Manoel Gonçalves
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Brincadeira
Felicidade é brincadeira
Brincar de ser criança
Jogar os braços pra cima
Festejar o sol e o calor
A brisa e seu frescor
Mergulhar
Cair na grama
Rolar sem se preocupar
Se a relva está molhada
E se a roupa sujar
Manoel Gonçalves
Brincar de ser criança
Jogar os braços pra cima
Festejar o sol e o calor
A brisa e seu frescor
Mergulhar
Cair na grama
Rolar sem se preocupar
Se a relva está molhada
E se a roupa sujar
Manoel Gonçalves
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Amor reluzente
Não adianta contar as palavras
Elas são mais que números
Apesar de poderem narrar momentos
São poeira, folhas secas ao vento
Tão fortes em certas ocasiões
Que cortam olhares, carnes, razões
Tão frágeis em instantes quentes
Que adormecem, fragilizam mentes
Liberam o inconsciente
Afloram o amor dormente
Entorpecem raivosos gestos
Em afável manifesto
Quebram geleiras, curam cegueira
Transformam casais, pessoas normais
Em seres mágicos, iluminados
Duas pessoas, uma história
Anos vividos em glória
Dois eternos apaixonados
Manoel Gonçalves
Elas são mais que números
Apesar de poderem narrar momentos
São poeira, folhas secas ao vento
Tão fortes em certas ocasiões
Que cortam olhares, carnes, razões
Tão frágeis em instantes quentes
Que adormecem, fragilizam mentes
Liberam o inconsciente
Afloram o amor dormente
Entorpecem raivosos gestos
Em afável manifesto
Quebram geleiras, curam cegueira
Transformam casais, pessoas normais
Em seres mágicos, iluminados
Duas pessoas, uma história
Anos vividos em glória
Dois eternos apaixonados
Manoel Gonçalves
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