Páginas

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Sarau na Casa Amarela em São Miguel Paulista - Sarau Agora ou Nunca

vs. eu: Sarau Agora ou Nunca - Erivaldo dos Santos na Casa...: Eu, justo eu, que adoro uma roda de conversa, principalmente sobre literatura e cinema (minhas paixões), tive que bancar o advogado do di...

Domingo, de grandes encontros, pessoas fascinantes e discussões acaloradas. Dali, além do enriquecimento cultural, um compromisso de falarmos e agirmos mais em prol da produção, difusão e distribuição da cultura feita longe das mídias, nos diversos polos periféricos ou desconhecidos dessa imensa São Paulo. Produções culturais que não são divulgadas e não chegam às mãos (olhos, ouvidos...) da população, seja a que está acostumada a esse tipo de consumo, seja a que é carente dessa brisa benfazeja e necessária à formação de um indivíduo mais completo. no final do texto, há um conto poético que fiz. Espero que curtam.
Abraços.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012









Painel da Pequena Sereia. Tinta de tecido sobre algodão cru.
Medida aproximada 2,20m x 1,40m.
Manoel Gonçalves

Esperar...


O que esperar?

Descansar
Dos percalços da estrada
Do cotidiano puxado
Da longa e laboriosa caminhada
De todo um ciclo passado

Brotar
Da cabeça o sonho
A árvore da semente
Das letras os sentimentos
A ideia contida da mente

Renascer
Para o dia que se anuncia
Um novo ano, uma nova vida
Novos planos, futuras conquistas
Para os desafios preciosos da lida

Esperar
Que o descanso nutra e revigore
Que brote a semente da paixão
Renasça sempre a esperança
E nunca morra a compaixão

Manoel Gonçalves

terça-feira, 24 de abril de 2012

Jeito Simples




Jeito simples

Sentado à beira da porta
Escorado no batente
Olhando pro nada
Vendo as galinhas correr
Sentindo a brisa da tarde
Descansando o esqueleto
Moído da lida diária

Espreitando o laranja do céu
Se perdendo em meio à fumaça
Do cigarro de palha
Do fogão à lenha
Do café fresquinho
Na caneca de estanho

A “nega” se balança na rede
Os filhos estão por aí
O sorriso estampa alguns dentes
O rosto é marcado por rugas
Do sol, da idade, da vida

Assim, a noitinha chega
E só resta ir pra rede
Que o dia se aproxima
A madrugada fria o espera
Num convite rotineiro e solitário

Antes que o dia clareie
Antes mesmo que ele esquente
Seu suor já terá molhado a roupa
Sua fome se fará quase danada
E suas mãos não sentirão nada
De tão acostumadas e calejadas

Assim ele contempla sua terra
Sua vidinha simples no sertão
Apanha seu facão e o enxadão
E se embrenha na roça
Pra garantir da família o pão

Nessa paz, nesse silêncio
Que as cidades desconhecem
Nesse som desbravador
Que o cimento não ecoa
Tudo seguirá seu ritmo
Suado, mirrado e árduo
Mas feliz
Feliz por ser tão seu

Tão seu como o fim de tarde
A fumaça...
O café...
E a rede...

Manoel Gonçalves

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Sofia, a joaninha




Um gesto simples
Sorriso ingênuo
Puro e cativante
De quem ri de si mesmo
Ri dos e para os outros
E das belezas do mundo
A mão que se acaricia
Os braços que amarram
Que se fazem presentes a todos
Dos olhos não surgem lágrimas
Não só bailam as escuras pupilas
Explodem alegres super-novas
E calorosos raios solares
Bendita seja, ó Natureza,
Por ter criado algo tão belo.

Manoel Gonçalves
(para a minha joaninha, que brilha e encanta todos os dias em meu jardim)

terça-feira, 17 de abril de 2012

Piruetas no Ar




Lá no alto o menino se agarra

Às linhas, aos sonhos, ao encanto
À farra de não ter amarra
Aos giros que causam espanto


Lá no alto o menino se choca

E vê graça na plateia retesada
De olhos arregalados no lugar da boca
De “queixos suspensos” na cabeça virada


Lá no alto é menino, é pequenino

Balança sob a luz do luar azulado
Mas se agiganta sorrindo o menino
Comove e encanta em seu lindo bailado


Voa menino, voa

Faça pirueta no ar
Canta que sua voz ecoa
Brinque e nos leve a sonhar



Manoel Gonçalves

segunda-feira, 26 de março de 2012

Chico Mestre do Riso

Chico Mestre do Riso

Era Chico
Era Anysio
Um apenas não
Uma legião
É alegria
Inspiração
É, sim, e assim continuará
No presente, como presente
Intelecto, vontade, talento
Riso, magia que não se apagará

Era Chico
O Anysio
Oxi, Aff, Coisinha, ó Painho
Pô, ele também era Xovem
Era Tim, Justo e Paipai do Castrinho
Azambuja, Bento e Popó 
Coalhada e a falante Salomé
Silva, Tavares e Bozó
Pantaleão, marido de Té
Haroldo, o hetero pegador
Alberrrrto, o eloquente ator
E assim eram mais de duzentos
Sendo Raimundo o primeiro rebento

Nem só Chico
Nem Anysio somente
Muitos nomes, vozes, figurinos
Povoavam sua mente
Nem como Chico isolado estava
Em outras facetas da arte
Sendo destaque ou fazendo uma parte
Com competência transitava
Vai lá, mestre do riso
Querido Chico Anysio
Mas mande a Salomé se adiantar
Ligar pro Pedrão e reservar
Espaçoso e confortável lugar
Pois tem 200 para se hospedar

Manoel Gonçalves



Minha homenagem a quem entrava em nossa casa, mesmo sem pedir licença, e fazia do riso a sua crença, trazendo uma multidão de personagens engraçados e memoráveis. Pra quem não tinha medo da morte, tinha pena de morrer. Nós também. De perder uma pessoa talentosa e que faz o povo rir e de saber que o humor ficou mais pobre.