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terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Vida mansa

Ir e vir
Vai e vem
A rede balança
Um corpo embalado
Lá e cá se lança
O ritmo não cansa
Mas alivia o cansaço
Convite pra vida mansa
Só pra deitar
Só pra ficar
Fazendo coisa alguma

No rosto o carinho do vento
Vendo o dia passar
Virado de papo pro ar
Ou então a noite inteira
Os olhos vidrados no céu
Admirando as estrelas
Na mesa ao lado
Cuidadosamente colocados
Livros, lápis e folha
Ah, e uma branquinha
Pura e suave

Que vem lá da fazendinha
E a minha garganta molha
Mas há ali também
Entre um vai e outro vem
Onde o braço possa alcançar
Água de coco fresquinha
Adocicada, geladinha
Pra quando o calor aperta

A minha sede matar
Cabeça jogada pra trás
Voando feito as rolinhas
Perdida em pensamentos
Viajando em palavras minhas

Manoel Gonçalves

Um comentário:

Lunna Montez'zinny disse...

Eu sempre fico com a sensação de que a simplicidade está em alta na pele e na alma de quem escreve, como forma de preencher algo que falta.
Beijos