Calar
Manoel Gonçalves
Cala-me a violência
A falta de respeito
O não se importar com o outro
O descaso e a indiferença
Valorização dos defeitos
Sem prazer e brilho no olhar
A ausência
Calam-me!
Cala-me a vergonha
Da roubalheira descabida
Da cara de pau medonha
A vida do pobre vivida
A população enganada e risonha
Risada nervosa, contida
Na lida diária tristonha
Calam-me!
Cala-me a ignorância
A criança que não aprendeu
O fim da tenra infância
O riso que entristeceu
O idoso que não descansa
A experiência que se perdeu
Calam-me!
Cala-me o sem escrúpulos
O ataque à liberdade
A prisão do indivíduo
O caos da grande cidade
A violação do ser humano
O medo sem ter idade
Calam-me!
Cala-me o noticiário
Caminhos na escuridão
Banalidade do calvário
Labirintos da religião
Fiéis e operários
Prostitutas e mercenários
Disputam migalhas no chão
Alvos de constante escárnio
De corrupto e ladrão
Calam-me!
Calam-me tantas situações
Que se eu fosse mesmo analisar
Não faltariam razões
Para de fato me calar
Mas me restam as emoções
Que me fazem pensar
Rompem mordaças e grilhões
E continuo a protestar
Não, já não me calo mais
Impossível amordaçar
A língua não quer sossego
Coração não sente medo
Sangue quente a circular
Oxigênio puro na mente
Eu continuo a pensar
De fato não mais me calam
Não quero a voz abafar
Constantemente recebemos inúmeras informações. Todas interferem em nossa maneira de ver o mundo. E quando a janela abre uma fresta, a luz irradia, transborda e com ela, vão as palavras, os sentimentos, a visão do mundo, emoções, alegrias, tristezas, os risos e os bichos que estão presentes em cada um.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Poema feito sobre post no Cooperifa
Durante o carnaval assisti a uma pequena entrevista, enquanto se desenrolava um dos desfiles, com o poeta do Cooperifa (se eu não me engano era o idealizador, Sérgio Vaz). Fiquei curioso e visitei o blog. Gostei da iniciativa e da proposta dos saraus. Lendo um dos seus posts recentes, Alunos do Capão Redondo assistem à aula sentados no chão, mandei um comentário, um poema que reproduzo aqui. Abraços.
Sala vazia, cabeça cheia
Em casa a mesa vazia
A cadeira se equilibra
Por vezes improvisada
Em pés retorcidos
Nas ruas a triste desolação
Violência, porrada, podridão
Lixo espalhado, água nas canelas
Pessoas sem rosto, quase sem gosto
O que fazer então?
Buscar alento na Educação
Esperar que a linhas traçadas
Tornem-se estradas a uma vida melhor
E se falta educar a quem promete?
E se a bela propaganda é tudo que se vê?
E as boas condições a que nos remetem?
Por onde andam os belos prédios da TV?
Como mentem! Como usam mal suas mentes!
Pensamentos desprovidos de imaginação
Como podem fazer brotar frutos e sonhos
No frio do piso, na folha pisada no chão?
A sala sem mesa, a mesa sem cadeira
A cadeira sem a pessoa, a pessoa sem dignidade
A escola desprovida de chamativos ao público
A política pública desprovida de vontade
Mas ainda há esperança
A porta não se fechou
A vergonha não impediu o orgulho
A chama não se apagou no piso frio
Há brilho nos olhares infantis
Há vontade de ensinar
De fomentar os sonhos
Alimentar as mentes
Fazer brotar a cultura
Transformar crianças sentadas no chão
Em adultos conscientes e realizados
Com desejos, sim, mas firmes na decisão
E aí sim, olhar o passado, saber que não foram em vão
Os anos dedicados à Educação.
Manoel Gonçalves
Sala vazia, cabeça cheia
Em casa a mesa vazia
A cadeira se equilibra
Por vezes improvisada
Em pés retorcidos
Nas ruas a triste desolação
Violência, porrada, podridão
Lixo espalhado, água nas canelas
Pessoas sem rosto, quase sem gosto
O que fazer então?
Buscar alento na Educação
Esperar que a linhas traçadas
Tornem-se estradas a uma vida melhor
E se falta educar a quem promete?
E se a bela propaganda é tudo que se vê?
E as boas condições a que nos remetem?
Por onde andam os belos prédios da TV?
Como mentem! Como usam mal suas mentes!
Pensamentos desprovidos de imaginação
Como podem fazer brotar frutos e sonhos
No frio do piso, na folha pisada no chão?
A sala sem mesa, a mesa sem cadeira
A cadeira sem a pessoa, a pessoa sem dignidade
A escola desprovida de chamativos ao público
A política pública desprovida de vontade
Mas ainda há esperança
A porta não se fechou
A vergonha não impediu o orgulho
A chama não se apagou no piso frio
Há brilho nos olhares infantis
Há vontade de ensinar
De fomentar os sonhos
Alimentar as mentes
Fazer brotar a cultura
Transformar crianças sentadas no chão
Em adultos conscientes e realizados
Com desejos, sim, mas firmes na decisão
E aí sim, olhar o passado, saber que não foram em vão
Os anos dedicados à Educação.
Manoel Gonçalves
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Mostra Cultural Diálogo das Artes dia 26-9 no Tendal da Lapa
Evento Multicultural e encerramento da exposição do Ateliê Nobre Sucata, com a prazerosa presença de artistas das outras vertentes da arte: música, dança, teatro, poesia, artes plásticas.
Uma mostra de um pouco de boa parte das vertentes da arte. Uma noite de muita poesia, música, dança, teatro e exposição de artes plásticas. Os artistas estão se preparando para declarar seus sentimentos pela eterna musa de todos os apaixonados criativos, a Arte. Será uma noite de muita vibração boa e feita com bastante carinho e dedicação. Mas para a noite ser completa realmente, necessitará da sua presença. Necessidade sim, pois arte também é interação, partilhar o momento mágico da criação, o esforço dos estudos e da produção das obras, o esmero em fazer algo aprazível, o contato entre artista-obra-público, o bate-papo descontraído que pode servir para dar insight em outra criação, enfim, tudo aquilo que nos faz enxergar o mundo de forma um pouco diferente e que nos dá prazer em compartilhar, valorizar o poder do coletivo.
Aguardamos você e sua galera, família, colegas do trabalho, do futebol, da balada, da escola, sei lá, vai chamando... Vamos lotar o Tendal e fazer uma noite de muita alegria e cultura.
Abraços.
Manogon
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Mostra Cultural no encerramento da exposição Diálogo do Ateliê Nobre Sucata



Com a colaboração do meu amigo jornalista Vagner Apinhanesi, que escreveu a nota abaixo para a divulgação do evento, convido a todos para o encerramento da exposição Diálogo, do Ateliê Nobre Sucata, lá no Tendal da Lapa, dia 26 de setembro de 2009, sábado, a partir das 18h.
Em cartaz desde o dia 10 de agosto, no Tendal da Lapa, a exposição Diálogo, do Atelier Nova Sucata, apresenta obras de arte que usam materiais reciclados como suporte, desde placas de propagandas a portas e tampa de caixa d’água. A necessidade, a consciência ecológica e a diversidade de possibilidades oferecidas pelos materiais inspiraram o trabalho, o qual, apesar de coletivo, não impõe barreiras à individualidade de cada artista. A mostra vai até o dia 30 de setembro, sendo que no dia 26, sábado, contará com apresentações culturais, como shows musicais, teatrais, declamação de poesias, entre outras. O Tendal da Lapa fica na Rua Constança, 72 (travessa da Rua Guaicurus, na altura do 1.100). A entrada é gratuita. De segunda a sexta-feira, das 9h às 22h; sábados e domingos, das 9h às 17h.
Estamos trabalhando com muita dedicação e com o mesmo amor à arte para que saia um evento de boa qualidade e para que as pessoas mergulhem um pouco no universo artístico e suas sensações. Esperamos que possam ir, que apreciem e valorizem as diferentes vertentes da nossa arte. Será muito legal. Agradecemos a todas as pessoas que colaboraram conosco e aos artistas convidados, que entenderam a importância de um evento assim para levar cultura à população e cederam talento e tempo.
Abraços. Espero vocês lá.
Em cartaz desde o dia 10 de agosto, no Tendal da Lapa, a exposição Diálogo, do Atelier Nova Sucata, apresenta obras de arte que usam materiais reciclados como suporte, desde placas de propagandas a portas e tampa de caixa d’água. A necessidade, a consciência ecológica e a diversidade de possibilidades oferecidas pelos materiais inspiraram o trabalho, o qual, apesar de coletivo, não impõe barreiras à individualidade de cada artista. A mostra vai até o dia 30 de setembro, sendo que no dia 26, sábado, contará com apresentações culturais, como shows musicais, teatrais, declamação de poesias, entre outras. O Tendal da Lapa fica na Rua Constança, 72 (travessa da Rua Guaicurus, na altura do 1.100). A entrada é gratuita. De segunda a sexta-feira, das 9h às 22h; sábados e domingos, das 9h às 17h.
Estamos trabalhando com muita dedicação e com o mesmo amor à arte para que saia um evento de boa qualidade e para que as pessoas mergulhem um pouco no universo artístico e suas sensações. Esperamos que possam ir, que apreciem e valorizem as diferentes vertentes da nossa arte. Será muito legal. Agradecemos a todas as pessoas que colaboraram conosco e aos artistas convidados, que entenderam a importância de um evento assim para levar cultura à população e cederam talento e tempo.
Abraços. Espero vocês lá.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
divaga(r)ções
Se o passado não fosse tão marcante
Não seria necessário olhar pelo retrovisor
Para ver imagens que se distanciam
E que marcam meu caminho
Se o presente fosse tão certo
Não precisaria vivê-lo
Apenas deixar que acontecesse
Sem influência de decisões e ações
Se o futuro fosse uma incógnita
De que adiantariam os planos
As mãos entrelaçadas, os olhares
As juras de amor num final de tarde
Se esse instante fosse infinito
Não me sobraria desejo algum
De que o tempo não passasse
E que eu pudesse olhá-la uma vez mais
Só mais um poquinho...
Assim, devagar... sem pressa...
Como se o tempo não precisasse correr
Como se tudo fosse devagar demais
Só para me esperar, só para lhe abraçar
Só pro seu cheiro e gosto comigo ficar
Marcando meu dia e sumindo, sumindo
Bem de...va...gar
Manoel Gonçalves
Não seria necessário olhar pelo retrovisor
Para ver imagens que se distanciam
E que marcam meu caminho
Se o presente fosse tão certo
Não precisaria vivê-lo
Apenas deixar que acontecesse
Sem influência de decisões e ações
Se o futuro fosse uma incógnita
De que adiantariam os planos
As mãos entrelaçadas, os olhares
As juras de amor num final de tarde
Se esse instante fosse infinito
Não me sobraria desejo algum
De que o tempo não passasse
E que eu pudesse olhá-la uma vez mais
Só mais um poquinho...
Assim, devagar... sem pressa...
Como se o tempo não precisasse correr
Como se tudo fosse devagar demais
Só para me esperar, só para lhe abraçar
Só pro seu cheiro e gosto comigo ficar
Marcando meu dia e sumindo, sumindo
Bem de...va...gar
Manoel Gonçalves
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Bicho Preguiça (ou Wake up!)
Toda manhã
Quando a Lua
Deitada em seu divã
Sem proteção, quase nua
Esconde-se do novo dia
O despertador se agita
Não toca suave, quase grita
É o clarão que se anuncia
Dos sonhos, como um raio
Eu caio
Saio
Arrasto
Da cama me afasto
Me escondo do espelho
Da minha cara de joelho
Lento
Sonolento
Ainda atordoado
Com cara de enjoado
Por força ou necessidade
Aos poucos vem a vontade
Me arrumo
Acerto o prumo
Tomo meu rumo
E abraço a cidade
Manoel Gonçalves
Quando a Lua
Deitada em seu divã
Sem proteção, quase nua
Esconde-se do novo dia
O despertador se agita
Não toca suave, quase grita
É o clarão que se anuncia
Dos sonhos, como um raio
Eu caio
Saio
Arrasto
Da cama me afasto
Me escondo do espelho
Da minha cara de joelho
Lento
Sonolento
Ainda atordoado
Com cara de enjoado
Por força ou necessidade
Aos poucos vem a vontade
Me arrumo
Acerto o prumo
Tomo meu rumo
E abraço a cidade
Manoel Gonçalves
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Exposição Diálogo - Ateliê Nobre Sucata
"Que a arte nos aponte uma resposta,
Ainda que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar,
Pois é preciso simplicidade para fazê-la florescer."
Oswaldo Montenegro (do poema Metade)

Ateliê Nobre Sucata – Exposição Diálogo
O olhar capta tudo, mesmo que o consciente não perceba. Audição atenta. A fala que às vezes cala. Abre espaço para outros sentidos. De repente, é diferente a maneira de sentir. Olfato ligado ao fato, sentindo o cheiro das cenas, sejam elas urbanas ou imaginárias. Mãos tateiam as formas diversas. Brincam de transformar o acaso, formam coisas por uma causa. O paladar nem sempre é presente, mas a mente mistura tudo e saboreia o caos que antecede a criação. O diálogo das sensações alcança o ápice e o silêncio se faz no enlace, o sangue fervilha, assim como a arte que pulsa no artista brincante. A arte é a mãe e o artista, a criatura no faz de conta de criador. A obra está em concepção, em constante mutação. Esse exercício incessante de coletividade, integração plena das partes, sem deixar de lado a importância individual, é a diretriz do Ateliê Nobre Sucata. O que faz dos artistas Cris Miura, Júlio Loureiro, Márcio Caetano e Vicente Conte aprendizes vorazes, buscadores da técnica aprimorada e inquietos questionadores. Porém, ao mesmo tempo, mestres no ensinamento de como preservar e fazer melhor aproveitamento do Meio Ambiente e suas reservas, reduzindo “lixo” e abismo social por um mundo melhor e com mais difusão cultural.
Porta velha, TV queimada, aparelhos eletrônicos, tampinhas, placas, pregos, latas, madeira, plástico... Lixo? Não. Sucata. Matéria-prima a ser transformada. Palavras soltas esperando que alguém as coordene e construa um novo diálogo com o mundo. Sentimentos, mente – o que pode surgir ali? –, tinta, pincel etc. – talento, interação e entrega. O Nobre Sucata é um templo onde tudo pode. Não há barreiras. Sequer existe a expressão de negação a qualquer manifestação artística ou suporte. Os artistas se expressam de maneira singular, conforme suas formações, valores e experimentações, mas também se permitem o aconselhamento mútuo, a intervenção e a sinergia com outras vertentes da arte. Nada conversam as obras entre si, mas todas se relacionam, fazem parte de um intenso diálogo entre os autores, o público e a dualidade Ser Humano/Natureza.
O olhar capta tudo, mesmo que o consciente não perceba. Audição atenta. A fala que às vezes cala. Abre espaço para outros sentidos. De repente, é diferente a maneira de sentir. Olfato ligado ao fato, sentindo o cheiro das cenas, sejam elas urbanas ou imaginárias. Mãos tateiam as formas diversas. Brincam de transformar o acaso, formam coisas por uma causa. O paladar nem sempre é presente, mas a mente mistura tudo e saboreia o caos que antecede a criação. O diálogo das sensações alcança o ápice e o silêncio se faz no enlace, o sangue fervilha, assim como a arte que pulsa no artista brincante. A arte é a mãe e o artista, a criatura no faz de conta de criador. A obra está em concepção, em constante mutação. Esse exercício incessante de coletividade, integração plena das partes, sem deixar de lado a importância individual, é a diretriz do Ateliê Nobre Sucata. O que faz dos artistas Cris Miura, Júlio Loureiro, Márcio Caetano e Vicente Conte aprendizes vorazes, buscadores da técnica aprimorada e inquietos questionadores. Porém, ao mesmo tempo, mestres no ensinamento de como preservar e fazer melhor aproveitamento do Meio Ambiente e suas reservas, reduzindo “lixo” e abismo social por um mundo melhor e com mais difusão cultural.
Porta velha, TV queimada, aparelhos eletrônicos, tampinhas, placas, pregos, latas, madeira, plástico... Lixo? Não. Sucata. Matéria-prima a ser transformada. Palavras soltas esperando que alguém as coordene e construa um novo diálogo com o mundo. Sentimentos, mente – o que pode surgir ali? –, tinta, pincel etc. – talento, interação e entrega. O Nobre Sucata é um templo onde tudo pode. Não há barreiras. Sequer existe a expressão de negação a qualquer manifestação artística ou suporte. Os artistas se expressam de maneira singular, conforme suas formações, valores e experimentações, mas também se permitem o aconselhamento mútuo, a intervenção e a sinergia com outras vertentes da arte. Nada conversam as obras entre si, mas todas se relacionam, fazem parte de um intenso diálogo entre os autores, o público e a dualidade Ser Humano/Natureza.
Manoel Gonçalves
Sábado, a partir das 17h, Vernissage da Exposição Diálogo, do Ateliê Nobre Sucata, no Tendal da Lapa - Rua Guaicurus, 1.100 e Rua Constança, 72 - Lapa. Tel: 3862-1837. E-mail: tendaldalapa@gmail.com
Período: de 01-08 a 30-09-2009 - seg. a sexta, das 9 às 22 h e sáb. e dom., das 9 às 17 h.
Vocês podem observar algumas obras no site do Ateliê Nobre Sucata.
Todos estão convidados a apreciar as diferentes maneiras de expressar o amor à Arte.
Aguardamos vocês. Abraços.
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