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quinta-feira, 1 de novembro de 2007

O problema é da pomba!

Aceitando o convite da Samantha para a Blogagem Coletiva Um Apelo à Paz na Terra, organizada pelo Lino Resende.

Quando se fala em paz, pensa-se logo em algo bom, calmo, sereno, que deixa o ser humano mais lívido, capaz de ouvir seus pensamentos e discernir entre as coisas boas e más. Mas também, por associação de idéias, vêm à mente as suas antíteses: guerra, violência, perturbação, balbúrdia. Não são idéias complementares, mas não há como dissociá-las.

O que também ocorre quando se fala em paz é lembrar de seu símbolo mais forte: a pomba. Bela, branca, quase um chester (quer dizer, eu nunca vi um - alguém aí já viu?) pelo tamanho do peito estufado, carregando sua bandeira verde em forma de galho no bico reluzente. Pombas! (Desculpem o infame trocadilho) Alguém já prestou atenção nas pombas, as que estão ao nosso alcance. São sujas, parecem ratos com asas, comem qualquer lixo, não se respeitam porque estão sempre se pegando para comer as migalhas, se amontoam em bandos, sem falar na mira infalível quando sobrevoam pessoas e carros.

O conceito de paz no mundo deve estar distorcido por causa desse tipo de pomba que eu citei. Só pode ser. As pessoas acabam se reunindo em bandos, não se respeitam, brigam para juntar cada um as suas migalhas (quando não lutam para tomar do outro), são obrigadas a comer qualquer coisa, às vezes porcarias que são jogadas nos alimentos, tornam-se sujas (nem sempre por fora, mas por dentro são encardidas de tanta podridão) e vis como ratos (as asas ficam por conta dos aparatos tecnológicos usados para sobrepujar outros semelhantes). A única coisa que parece diferir nessa comparação maluca é que as pombas não usam suas miras nelas mesmas, ao contrário do ser humano, que, ao menor sinal de que não serão saciados em sua ganância, partem logo para as armas e suas miras cada vez mais certeiras.

É óbvio que essa é uma metáfora simplificada para um problema sério e complexo, que não tem nada de simples em sua resolução. A paz é conseqüência de respeito, empatia, amor (não só falado e escrito, mas praticado), harmonia, humildade e tantas outras coisas que possam ser listadas aí. Eu ia escrever tolerância, mas lembrei de um post de um amigo meu, Walter Tierno, no texto Ts: primeiro T (Tolerância). Mesmo que não se concorde com tudo que ele disse, mas o ponto de vista é interessante e tem a ver com o tema da paz.

Como bem disseram as meninas nos links abaixo, a paz tem de estar presente em nós mesmos, tem de ser uma filosofia de vida (muito embora existam momentos em que é preciso contar até cem ou mil para não pensar ou fazer besteiras que nada resolverão). Mas ela tem de ser vivenciada para que se exijamos do outro o respeito à nossa posição e a reciprocidade em intenções e ações. Sem a aplicação em situações básicas no dia-a-dia, como acordar bem consigo mesmo, não descontar seus fracassos e angústias nos outros, usar seu poder de relacionamento para fazer amigos e partilhar sabedoria (para evolução própria e do grupo), respeitar limitações e incentivar o crescimento constante, conhecer e respeitar qualquer um, fica difícil pensar num mundo mais pacífico, fica complicado encostar a cabeça no travesseiro e dormir sem preocupações.

E a pomba continuará voando sobre nossas cabeças, mas cuidado, pois um bombardeio desses tira a paz de qualquer um. Nem adianta pensar que é sinal de sorte.

Blogagem Coletiva Paz no Terra:
Paz na Terra, por Sueli Sueishi

A paz começa em nós mesmos, por Aline Dexheimer

Blogagem Coletiva pela Paz no Mundo, por Adriana Fischer

A paz invadiu meu coração, por Samantha Shiraishi

Abraços.

12 comentários:

santa mistura disse...

puxa vida... quem será que nasceu primeiro o ovo ou o pombo??

Sueli disse...

Manoel, você se superou nos últimos dois posts que fez.. (o de quarta, no Desabafo; e este da paz). Ótimo texto! Parabéns... uma maravilha ler quem escreve tão bem... bjs Sueli

Grace Olsson disse...

oi, BOM DIA. A POMBA PARA MIM NAO PASSA DE UM SIMBOLO.RS. A PAZ VCEM DE ATOS POSITIVOS DO HOMEM AO SE RELACIONAR COM SEU IRMAO. O RESPEITO UE JA NAO VEMOS, A SOLIDARIEDADE QUE NOS FALTA. E O DESRESPEITO A TANTAS CRIANCAS QUE MORREM DIARIAMENTE POR CAUSA DA GANANCIA PELO PODER DE H SEM ESCRUPULOS.BOM DIA.

Fábio Mayer disse...

Uma amiga minha, foi "bombardeada" por uma das pombinhas que vive no portal de entrada do prédio historico da UFPR em Curitiba.

Na época, ela usava cabelos enormes cumpridos e encaracolados... de modo que ela praguejou contra as pombas, a ponto de mandar a paz pra PQP todas as vezes que a via representada pelo simpático passarinho branco... queria mais é detonar aquela quase galinha e ver o resultado dela numa panela.

Bem, eu entendi o que você quis dizer (ou penso que entendi): Menos símbologia, mais ação prática não é?

Márcia disse...

Olá Manoel. O que é a paz, afinal? Um tema inesgotável e uma meta a ser atingida por todos nós. Excelente texto. Um grande abraço.

andre wernner disse...

Manoel eu já havia dito:
As pombas estão com suas imagens em baixa. Assim como os homens que também não estão cuidado das suas imagens e se jogam, num vôo alucinado, entre o nada da arrogância e a coisa nenhuma da prepotência.

E se acham poderosos, exercem funções de mando e exercitam a violência banalizando o horror e promovendo a dor, o sofrimento e a tristeza entre os povos.

Quem sabe a pomba, se pudesse falar, pediria um tempo, até que o homem – racional e inteligente – percebesse que nem elas mais, suportam o uso indevido de suas imagens numa causa que os humanos – pôr egocentrismo – não se permitem resolver: devolver a paz ao mundo!
Abs

Samantha Shiraishi disse...

Manoel
interessante, criativa e muito pertinente sua analogia. Su tem razão, você se superou.
Obrigado por aceitar o convite e participar.

Lino disse...

Manoel:
A paz precisa, como quase todas as coisas, de um símbolo. Mas o melhor é lutarmos por ela, começando pela concordia e pelo respeito ao diverso, ao diferente.
Muito obrigado pela participação.h

Manoel Gonçalves disse...

Obrigado a todos que deixaram comentário aqui. Obrigado mesmo pelas visitas e pela consideração. Bom, não quis e não quero ser absoluto, dono da verdade, tampouco denegrir os símbolos existentes e aceitos pela sociedade. Seria muita pretensão de minha parte. Sou um homem comum, passível de tantos erros quanto os outros. Apenas quis expressar a minha opinião e fazer um paralelo de que não adianta teorizar nada ou colocar somente a força num símbolo. Nada é tão simples assim. A solução pode e deve vir de dentro de cada um. Não adianta só as ações de governos e ONGs se cada pessoa não reavaliar as suas ações, seu papel na sociedade e assumir as suas responsabilidades. Respeito todos os pontos de vista. E é o mesmo que quero receber das outras pessoas. Aliás, respeito é uma coisa essencial que anda faltando no mundo todo.
Abraços.
Manoel

Saramar disse...

Manuel, é sempre um prazer ler um texto original e inteligente como este, principalmente quando o assunto é tão importante.
Gostei imensamente.
O valor adicional das blogagens coletivas é, para mim, justamente a oportunidade de conhecer espaços tão bons quanto este seu.
Obrigada.

beijos

Manoel Gonçalves disse...

Saramar, obrigado pela visita, mas lindo mesmo é o seu espaço. Amei e o visitarei mais vezes, além de indicá-lo, é lógico.
Abraços.

Manoel

Saramar disse...

Manuel, voltei.
VIm agradecer o exagero gentilíssimo.
Muito obrigada.
Aproveito para ficar por aqui "xeretando" um pouco nos posts antigos.

beijos